domingo, junho 21, 2015

No JN de hoje: Regata de Rabelos é brincadeira séria

Eles são os mestres da embarcação, a quem se pede que comande a equipa e concretize ao pormenor tudo o que foi preparado durante as últimas semanas, orientando a tripulação ao longo dos cerca de três mil e 500 metros da prova. É deles, portanto, a grande responsabilidade de levar, literalmente, o barco a bom porto.
 
PEDRO CORREIA/GLOBAL IMAGENS
Tripulações dos barcos rabelos obedecem a regras bem definidas. E ninguém gosta de perder
Apesar deste protagonismo a bordo, ou talvez por causa disso mesmo, preferem manter a concentração antes do grande dia, deixando os foguetes de exaltação para depois da prova. É assim que o cenário pré-corrida fica traçado por António Vasconcelos, membro da Comissão Técnica da XXXII Regata dos Barcos Rabelo, que se realiza na próximo quarta-feira, a partir das 17 horas, entre o Cabedelo e a Ponte de Luís I, nas águas do Douro que banham Porto e Gaia.
"Isto não é uma competição, mas eu, que conheço todas as regatas desde o início, sei bem: todos dizem que é uma brincadeira, mas a competição existe", diz António Vasconcelos. E basta olhar para os regulamentos da regata para se perceber que esta é uma brincadeira para ser levada muito a sério: "Todas as tripulações [...] devem participar nesta manifestação com espírito desportivo. [Por isso], Deverá ser imposta à tripulação uma atitude de seriedade e sobriedade e qualquer quebra a este respeito será punida com um mergulho no rio".
Ora, quem se deslocar a uma das margens do Douro (Porto ou Gaia) vai poder constatar, seguramente, que há mínimos exigidos e devidamente inscritos nos regulamentos: cada tripulação tem de ser composta, obrigatoriamente, por um mínimo de seis tripulantes, as velas obedecem a dimensões mínimas e máximas, o comprimento dos barcos não pode exceder cinco vezes a área da vela, etc. E porque ninguém gosta de perder mesmo a feijões, "há casas que contratam antigos barqueiros" para comandar os barcos rabelo. Mas isso é segredo.
Na maior parte dos casos, os "skippers" são elementos das respetivas casas de vinho do Porto que, pela sua antiguidade e experiência, são escolhidos para liderar os barcos. Tem muita arte transformar em barco de corrida um rabelo, concebido para o transporte comercial das pipas de vinho desde o Alto Douro até às caves de Gaia. Parece fácil, mas não é. 

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Pais/interior.aspx?content_id=4636285

+

Quem faz o quê num barco rabelo

Hoje às 00:06
Para melhor se perceber quem faz o quê dentro do barco rabelo, António Vasconcelos, membro da Comissão Técnica das regatas, abre o livro.
 
Dos seis elementos que obrigatoriamente têm de compor uma tripulação, dois trabalham na escota da vela, isto é, são responsáveis por manipular os cabos que controlam a posição da vela, ajustando-os em função dos ventos a cada momento da competição.
O controlo do leme (ou, de forma mais exata, da espadela) é da responsabilidade de um único elemento da tripulação e na verga (a vara de madeira colocada no mastro para prender a vela) há mais dois elementos.
"O sexto elemento é da Confraria [do Vinho do Porto], que vai na proa do barco para verificar se tudo decorre conforme os regulamentos", adianta António Vasconcelos. Se houver mais tripulantes... estão em funções mais lúdicas.
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Pais/interior.aspx?content_id=4636284

Sem comentários: