Competição de rabelos vai colorir as águas do rio Douro no próximo dia 24, feriado de S. João.
ARQUIVO/GLOBAL IMAGENS
MÁRIO BARROS
| 19/06/2015
A regata já começou, mesmo que os 14 barcos rabelos ainda estejam fundeados nas margens do rio Douro. Os últimos dias têm sido de grande azáfama para os "skippers" (capitães) e restante tripulação das 14 embarcações que na quarta-feira vão colorir, pela 32.ª vez, as águas do rio Douro, entre o Cabedelo e a ponte Luís I, a partir das 17 horas. Numa primeira análise, até pode parecer um espetáculo meramente lúdico, mas os preparativos para a prova que junta as principais marcas de Vinho do Porto, em representação das seis empresas que fazem parte da Confraria do Vinho do Porto, tiveram início há muitas semanas.
Isto porque, mesmo para os mais distraídos, está bom de ver que não basta ter um barco "parado" num cais (no caso, no de Vila Nova de Gaia) e esperar tranquilamente que chegue o dia da competição. Tal como acontece, por exemplo, com um automóvel a poucos dias de uma prova de rali, os barcos rabelos são inspecionados de uma ponta à outra: desde o casco, passando pelas amarras de cordas e pela espadela.
Para que um barco possa ser considerado apto para navegar tem de ser vistoriado pelo menos uma vez por ano e cada uma dessas inspeções tem um custo entre os 12 mil e os 15 mil euros. Daí que a maior parte dos armadores opte por ter apenas um barco, embora haja quem se mostre mais ambicioso e concorra com quatro, como é o caso da Symington. Sinais dos tempos, algumas das casas apresentam mais do que um barco porque entretanto houve fusões comerciais com outras casas/marcas.
Nascida da vontade dos produtores de Vinho do Porto, alarmados com a perspetiva de, um dia, estas históricas embarcações não passarem de uma realidade só possível de ver em museus, a Regata Barcos Rabelos começou por ser uma "brincadeira", como revela Isabel Marrana, diretora da Associação das Empresas de Vinho do Porto.
À época, eram só quatro os barcos existentes (o "Rio Torto", com a insígnia Dow"s é o mais antigo em prova), mas, aos poucos, e de forma consolidada, as várias casas foram aderindo a um evento que é um ex--líbris da cidade do Porto e dos festejos do seu santo popular, o S. João. Por isso, vale a pena poupar forças da noite de 23 para 24 e aproveitar o final da tarde para ver um espetáculo que até já mereceu as atenções do canal National Geographic.
+
"Memória pública do Porto é privada"
M. B.
| 19/06/2015
Isabel Marrana, diretora da Associação das Empresas de Vinho do Porto
Qual o impacto da regata?
A Confraria do Vinho do Porto foi feita para preservar a identidade do Vinho do Porto e a regata é disso exemplo. Há imensas histórias ligadas ao Porto e a confraria preserva não só essas tradições, como também tem um objectivo promocional, através da regata e da cerimónia anual de entronização. O Porto não tem a noção das pessoas que estes acontecimentos movimentam.
É difícil preservar a identidade?
Há uma memória pública do Porto que é privada. Se quiser lembrar--se do Porto, vê Gaia, os barcos e o Porto. Mas um dia que os barquinhos desapareçam "aqui-d"el-rei que não há barquinhos!". As pessoas dão como adquirida a existência dos barcos rabelos. É preciso manter esta memória, que é fruto de um esforço totalmente privado. Esta regata é também património cultural da cidade.
Sem comentários:
Enviar um comentário