O primeiro desses momentos
aconteceu quando Pedro Passos Coelho teve a ideia de se fazer entrar numa
escultura feita em metal por Joana Vasconcelos (“Casa de Chá”) para o Portugal
dos Pequenitos, em Coimbra, por ocasião da comemoração dos 75 anos daquele
espaço. Logo esta originalidade foi aproveitada pelos seus críticos, uns com
comentários sarcásticos, outros com tiradas menos felizes. Mas, mesmo em
situações descontraídas, como era este o caso, os actores públicos não podem dar
o flanco. E Pedro Passos Coelho fê-lo, colocando-se atrás de grades. Para
evitar momentos destes é que os especialistas em Comunicação devem manter a
guarda alerta. Mesmo a espontaneidade deve ser trabalhada. O filme “O
Candidato”, protagonizado por Robert Redford, é um belíssimo exemplo (e estamos
a falar da América dos anos 1970) de como as equipas por detrás dos políticos,
ou candidatos a, podem e devem influenciar o que eles fazem.
O segundo caso terá
passado mais ou menos despercebido, mas nem por isso deixa de merecer reflexão.
Aconteceu quando António Costa, líder do PS e candidato a primeiro-ministro, se
deslocou ao Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, para saber “in loco” do
estado de saúde de Maria Barroso. Os primeiros comentários de António Costa
emitidos pelas televisões foram, naturalmente, sobre a condição da
primeira-dama e mostraram um político à porta do hospital, proferindo as palavras
da praxe. Mais à frente, no alinhamento dos telejornais, surge o mesmo António
Costa, exactamente no mesmo local, a opinar sobre a situação da Grécia.
Ora, por mais que fosse
pressionado pelos jornalistas para responder às “mil” perguntas sobre o estado
de saúde Maria Barroso e a situação na Grécia quase em simultâneo, o líder
socialista deveria ter sido resguardado. Assim, ficou no ar (eu fiquei com) a
ideia de que António Costa fala sobre tudo e em qualquer sítio, desde que lhe
coloquem uma câmara e um microfone à frente.
Em suma: não basta estar
nos sítios e acreditar que se tiram vantagens de ser filmado para as
televisões. Os mais desligados destas coisas da Comunicação podem argumentar
que o cidadão comum não está interessado nestas minudências, quer é saber o que
é que “eles” vão fazer se forem eleitos. Mas a eficácia da mensagem “deles” também
passa por estes pequenos/grandes detalhes. Podem ser tão importantes como
arranjar o nó da gravata antes de sair de casa.

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