Não é apenas dentro das
quatro linhas e nos 90 minutos regulamentares que a rivalidade entre Benfica e
FC Porto existe. Com um mercado potencialmente mais vasto do que os adversários
da Invicta, o Benfica leva a relação que tem com os seus adeptos de uma forma
muito particular. Se não, vejamos: desde que me lembro de ver futebol, uma das
imagens que ficou na minha memória foi a dos jogadores do Benfica saudarem os
seus adeptos com uma vénia antes do jogo, pelo menos, nos jogos em casa. Uma
fotografia muito rara nos jogadores do FC Porto, nas Antas e fora. [Declaração de interesses: sou portista e fui sócio durante vários anos, até que a minha profissão de jornalista ditou outro caminho.] Ou seja, o
sentimento de respeito e de admiração pelos adeptos começava ainda antes de o
árbitro apitar pela primeira vez. Outro exemplo: glosando com a ideia de “ser
levado ao colo”, os responsáveis do clube da Luz promoveram uma campanha curiosa, na qual um adepto do clube segura uma criança nos braços e é feita a associação ao "colinho" dos árbitros, que vários adversários acusam de beneficiarem os benfiquistas, com a promoção para bilhetes especiais para famílias.
Quero com isto dizer que
os protagonistas de um espectáculo de futebol (no caso) ao muito além dos 22
jogadores que entram de início. Os adeptos são, no fundo, a razão de existir
daquelas camisolas, do corrupio mediático que envolve os jogos e… do dinheiro
que depois acaba por cair nos cofres dos clubes, quer através das receitas de
bilheteira e das transmissões televisivas, quer através das verbas resultantes
das transferências e das operações de marketing. Ainda há poucos minutos,
enquanto grande parte da equipa do Real Madrid recolhia aos balneários, depois
do empate a zero na casa do Atlético de Madrid, o mítico Iker Casillas chamava
os seus companheiros para que estes agradecessem aos adeptos “merengues” o
apoio dado na casa do rival.
Transpondo este exemplo
desportivo para o meio empresarial, dos negócios, é com particular irritação
que vejo alguns funcionários por detrás de um balcão receberem-me com um
“diga!”, ou um “sim!”. Tenho vontade de dar meia volta, como já o fiz. O rosto
de uma empresa, seja qual for a dimensão, tem de ser o primeiro Relações
Públicas, o primeiro foco de sedução. Só assim, e mesmo que o visitante não
gaste um cêntimo, não consuma qualquer produto, está sempre mais perto de
voltar, do que riscar aquele sítio do seu mapa.
Claro que não basta ter
uma cara laroca e um sorriso rasgado. O marketing é muito mais do que isso. É
preciso ter uma estratégia bem definida, pessoas devidamente
qualificadas/preparadas para fazerem parte de uma máquina mais vasta, saber
aquilo que os clientes procuram e não oferecer-lhes aquilo que julgamos ser o
ideal, possuir uma imagem corporativa, estar sempre pronto a ultrapassar, em
equipa, os obstáculos conjunturais e corrigir as eventuais deficiências
estruturais.
Parece simples, não é?
Parece o bê-á-bá dos negócios de sucesso, não é? E que tal praticar?
Sem comentários:
Enviar um comentário